sexta-feira, 14 de março de 2008

Guardiões

Resolvi mergulhar. Sabia da existência daquela grande floresta submersa no fundo do mar, mas o medo de encontrá-la e descrevê-la minuciosamente adiava meu sonho mais profundo: a descoberta da alma que ainda vivia por entre as árvores e vegetais aparentemente mortos.
A água era fria e quando mais profundo, mais a escuridão cegava meus olhos e o coração, estava perdendo a coragem, mas continuei, pois depois da escuridão sempre há uma luz.
Estava lá, densa, flutuante, negra com galhos retorcidos que abrigavam diversas espécies de "monstros" que pareciam me observar, como se me conhececem de algum lugar.
A medida que eu procurava adentrá-la para talvez encontrar algo de belo naquela grande mata obscura e deteriorada pelas águas calmas e salobras do fundo do mar, os "mosntros" apareciam como guardiões da floresta, guardiões de algo que não poderia ser desvendado.
Insistia gradativamente, fazendo com que aquelas criaturas bizarras fossem despistadas e quanto mais eu pensava em alcançar o grande tesouro escondido, mas era o afastamento dos guardiões.
Sentia uma sensação estranha, talvez medo misturado com coragem e incerteza e incerteza com amor puro. Estava realmente sentindo algo com uma pureza própria, com fragância adocicada e irressitível.
Flores. Brancas, azuis e liláses começaram a compor aquela paisagem aquosa. Pequenos seres quase impercepitíveis soltavam um pó prata brilhante sobre cada criatura estranha que destoava do lugar, e estas diminuiam de tamanho chegando a desaparecer.
Uma sensação de paz passou a dominar a floresta e a água que antes era escuridão, passou a ser límpida, cristalina, doce... a mensagem estava completa; emergi rapidamente.
Criaturas bizarras faziam o papel do ódio, do desamor, da fraqueza, da desesperança e do medo de viver, de perceber e sentir o belo. Pequenos seres espalharam a coragem, a leveza, a paz, a essência de ser paz.
Em uma floresta obscura, nunca se está só. A existência do bem pode parecer invisível, mas se pintarmos com "tinta de vida" (Samir) conseguiremos enxergar.

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