quinta-feira, 19 de junho de 2008

Dia do Mídia - 21/06/2008

Achei esse texto no site http://www.rbc.org.br/mdd sobre o dia da democratização da mídia (18 de outubro) e resolvi fazer um link com o dia 21 de junho, o dia do Mídia, pois acredito que devemos refletir sobre o papel da mídia nesses tempos de Isabela Nardoni, de eleições, enfim. Com que olhos estamos vendo o que a mídia nos apresenta? O que podemos tirar de bom do que os meios de comunicação nos oferecem? Pensar, discutir, concluir e agir.


"Em tempos como o nosso, de rápida concentração e comercialização dos meios de comunicações de massa, resta ainda realizar a convergência principal: cidadania para a democratização da mídia.

O Dia pela Democratização da Mídia (Media Democracy Day) batalha por e promove um sistema de comunicações de massa (mass media) que informe e fortaleça todos os membros da sociedade. O Dia pela Democratização da Mídia conecta a mídia crítica e criativa existente com movimentos sociais ativos, criando uma mensagem coerente para a atenção pública e para a ação local e global.

O que é o Dia pela Democratização da Mídia?

Seguindo o rastro de movimentos sociais pelo feminismo, justiça racial e ambientalismo nas últimas décadas, os esforços internacionais para democratizar a mídia estão agora se mobilizando para a educação, o protesto e a mudança. A Democratização da Mídia prioriza a diversidade no lugar da monotonia, o controle cidadão no lugar de escolha corporativa, o desenvolvimento cultural no lugar do lucro, e o discurso público no lugar das relações públicas.

O Dia pela Democratização da Mídia é um dia de ação internacional que tem três eixos como base:

Educação - o entendimento de como a mídia molda o nosso mundo e a democracia

Protesto - contra um sistema de mídia baseado na comercialização e na exclusão

Mudança - clama por reformas que respondam aos interesses públicos, promovam a diversidade e que assegurem a representação e a responsabilidade comunitária."

Uma imagem que achei. Textura maravilhosa.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

um domingo musical

O Quereres
Caetano Veloso
Composição: Indisponível

Onde queres revólver, sou coqueiro;
Onde queres dinheiro, sou paixão!

Onde queres descanso, sou desejo;
E onde sou só desejo, queres não!

E onde não queres nada, nada falta;
E onde voas bem alto, eu sou o chão;

E onde pisas no chão,
Minha alma salta: e ganha liberdade na amplidão...

Onde queres família, sou maluco;
E onde queres romântico, burguês!

Onde queres leblon, sou pernambuco;
E onde queres eunuco, garanhão!

E onde queres o sim e o não, talvez;
Onde vês, eu não vislumbro razão!

Onde queres o lobo, eu sou o irmão;
E onde queres cowboy, eu sou chinês!

Ah, bruta flor do querer...
Ah, bruta flor, bruta flor!

Onde queres o ato, eu sou o espírito;
E onde queres ternura, eu sou tesão!

Onde queres o livre, decassílabo;
E onde buscas o anjo, eu sou mulher!

Onde queres prazer, sou o que dói;
E onde queres tortura, mansidão!

Onde queres o lar, revolução;
E onde queres bandido, eu sou o herói!

Eu queria querer-te amar o amor,
Construírmos dulcíssima prisão;

E encontrar a mais justa adequação:
Tudo métrica e rima e nunca dor!

Mas a vida é real e é de viés,
E vê só que cilada o amor me armou:

Eu te quero e não me queres como sou;
Não te quero e não me queres como és...

Ah, bruta flor do querer...
Ah, bruta flor, bruta flor!

Onde queres comício, flipper vídeo;
E onde queres romance, rock'n roll!

Onde queres a lua, eu sou o sol;
Onde a pura-natura, o inseticídeo!

E onde queres mistério, eu sou a luz;
Onde queres um canto, o mundo inteiro!

Onde queres quaresma, fevereiro;
E onde queres coqueiro, eu sou obus!

O quereres e o estares sempre a fim,
Do que em mim é em ti tão desigual...

Faz-me querer-te bem;
Querer-te mal:

Bem a ti, mal ao quereres assim:

Infinitivamente impessoal;
E eu querendo querer-te sem ter fim!

E querendo-te,
Aprender o total...

Do querer que há;
E do que não há em mim!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Coluna: Sustentação do corpo e da alma

A alma tem a característica de ser extremamente mutável. Às vezes muda de cor; uma ora negra, em outra quase transparente. Torna-se tão sólida que chega quase a petrificar e torna-se diamante (será que este estado à torna rara?), outras vezes é mais leve que um grão de areia. Diria que são coisas da alma, fazer o que?!
A coluna que a sustenta se adapta as sua instabilidades, suas relações com o ambiente e com o repertório adquirido ao longo dos anos. A alma sempre carrega o que temos e também os desejos (aquilo que não temos, mas queremos) e a coluna por conseqüência carrega a alma e carrega o corpo e carrega as oscilações da alma, as torturas do corpo, as almas perdidas e os efeitos do corpo.
Minha coluna foi entortando, foi levantada com material de segunda, sem engenharia adequada, o pior, é que ela é uma viga de sustentação. Daquelas que mesmo querendo reformar a casa não se pode retirá-la, pois poderá, ou melhor, poderei vir abaixo. Então ela geme, apresenta rachaduras comprometedoras, e avisa que não aguentará por muito tempo. Triste fim para ela. Tento respeitar minha arquitetura, mas acredito que preciso urgente de uma restauração completa. A alma até que está em um peso adequado, mas o corpo mesmo sendo esquálido e magérrimo é tão pesado quanto um elefante obeso. Estou pensa e meus saltos funcionam como calços, pior que eu não queria ser uma mulher de salto, prefiria ser rasteira, mas, como diria o filósofo Claoni: “É a vida!”.
Lembrei-me da Clarise: “até cortar os desfeitos pode ser perigoso; não sabemos qual o defeito que sustenta nosso prédio inteiro” (é mais ou menos assim).
Bom, vamos à lição da história, que hoje é simples. Não carreguem muito peso, deixem o “supérfluo” pra trás. Mulheres, não carreguem espelhos, batons ou outras coisinhas na bolsa, isso prejudica a alma de vez em quando. Homens, não carreguem tantas coisas no chaveiro de seus carros e nem tanto dinheiro na carteira. Deixem o corpo mais leve e a alma mais transparente e como diria minha mamãe: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, pois nem queiram pesar a minha bolsa, tem até peixe frito!