terça-feira, 3 de junho de 2008

Coluna: Sustentação do corpo e da alma

A alma tem a característica de ser extremamente mutável. Às vezes muda de cor; uma ora negra, em outra quase transparente. Torna-se tão sólida que chega quase a petrificar e torna-se diamante (será que este estado à torna rara?), outras vezes é mais leve que um grão de areia. Diria que são coisas da alma, fazer o que?!
A coluna que a sustenta se adapta as sua instabilidades, suas relações com o ambiente e com o repertório adquirido ao longo dos anos. A alma sempre carrega o que temos e também os desejos (aquilo que não temos, mas queremos) e a coluna por conseqüência carrega a alma e carrega o corpo e carrega as oscilações da alma, as torturas do corpo, as almas perdidas e os efeitos do corpo.
Minha coluna foi entortando, foi levantada com material de segunda, sem engenharia adequada, o pior, é que ela é uma viga de sustentação. Daquelas que mesmo querendo reformar a casa não se pode retirá-la, pois poderá, ou melhor, poderei vir abaixo. Então ela geme, apresenta rachaduras comprometedoras, e avisa que não aguentará por muito tempo. Triste fim para ela. Tento respeitar minha arquitetura, mas acredito que preciso urgente de uma restauração completa. A alma até que está em um peso adequado, mas o corpo mesmo sendo esquálido e magérrimo é tão pesado quanto um elefante obeso. Estou pensa e meus saltos funcionam como calços, pior que eu não queria ser uma mulher de salto, prefiria ser rasteira, mas, como diria o filósofo Claoni: “É a vida!”.
Lembrei-me da Clarise: “até cortar os desfeitos pode ser perigoso; não sabemos qual o defeito que sustenta nosso prédio inteiro” (é mais ou menos assim).
Bom, vamos à lição da história, que hoje é simples. Não carreguem muito peso, deixem o “supérfluo” pra trás. Mulheres, não carreguem espelhos, batons ou outras coisinhas na bolsa, isso prejudica a alma de vez em quando. Homens, não carreguem tantas coisas no chaveiro de seus carros e nem tanto dinheiro na carteira. Deixem o corpo mais leve e a alma mais transparente e como diria minha mamãe: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, pois nem queiram pesar a minha bolsa, tem até peixe frito!

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