sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

sobre isso

Fiquei pensando sobre este blog. Deveria mesmo expor minhas palavras com os outros? Quem eu penso que eu sou pra achar importante e útil o que escrevo? Pois bem, sou Maíra, integrante do mundo, criatura da natureza e o melhor de tudo, um ser racional. Aí pensei: Penso, logo existo. Discordei desta premissa. Penso e se compartilhar com alguém aí sim existirei. Mas... pra quem eu quero existir? Para aqueles que eu amo, para aqueles que me amam, para aqueles que tem coração bom, (apesar do meu ser meio...), para aqueles que já andaram de carrosel, para aqueles que sabem que a terra é um carrosel, para aqueles que amam leite e para os que detestam também. Mais uma vez me perguntei: será que este vai ser um blog daqueles comuns e chatos, onde impera o individualismo e o narcisismo de mim? Creio que pelo lado ruim, será sim. Tudo tem dois lados (ou vários lados), mas assim como minha amada fotografia, as coisas do mundo podem ser vistas por vários ângulos e o mais importante é que cada um tem esse poder de escolher sua perspectiva. É isso. Ficarei muito, muito feliz se eu puder contribuir com alguma sensação na pessoa que estiver lendo. Não me preocupo mais se estou escrevendo certo, se minhas idéias são ultrapassadas ou avançadas, ou daquelas que enrolam, enrolam e não dizem nada com nada. Como disse uma vez um vendedor de mate em Ipanema no Rio: "deixa o mate me levar, mate leva eu". Vou tentar colocar textos de outras pessoas que gosto muito. Clarisse, Cláudio Moura (economista), Lia Paraense, Fernando Paraense, sei lá, quem eu encontrar por ai. Ei, não pensem que eu vou fazer aqueles artigos críticos sobre assuntos polêmicos, pois juro que sou pequena e fina demais pra isso.
Bom, vou tentar escrever com frequência. Uma beijoca gelada pra todos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Meu início de vida começa com a noite, na escuridão de todo dia ou na claridade da lua. O sol, amante fiel de sua amada branca, a surpreende algumas vezes quando configura em seu céu transparente de azul, a imagem de sua lua. Ele sente sua falta e definha ao entardecer, esperando desesperadamente que ela apareça para abraçá-lo. Raramente eles se encontram, mas quando se beijam os seres da terra param pra observar essa troca de amor. Uma estrela gigante de cor amarela misturada com laranja e vermelho encontra a serenidade na brancura daquela que ama.
No contexto de claro e escuro começa meu dia, minhas idéias de ser, minhas percepções de como ando no mundo, se paro, se vou ou se volto. O mais difícil é querer voltar, pois andar no sentido contrário do mundo determina vertigem e cansaço no ser e de ser. Às vezes é perturbador, pois nem sempre a perspectiva de destino da terra é gratificante, na maioria das vezes a estrada é destrutiva, na verdade são o “nós” que a submetem a condição de torturada. Ela grita e é cortante na alma quando ela resolve se defender. Mas quem pode julgá-la?
È na vida que levo dentro dela que penso no início da noite e que determina meu caminho durante o caminhar do dia. Penso que o meu dia tem escoliose grave, pois na maioria das vezes ele anda meio torto. Mas o que seria do torto se não existisse o meio ou pouco torto como eu? Seria sem meu amor, sem o homem meu de cada dia, sem minhas roupas infantis, sem uma cadeira do lado direito para apoiar minha perna fina, mas direita. O que seria de meus pensamentos loucos, maduros, carentes e belos sem minha visão turva. Sem mim, eles só seriam. Comigo, eles serão.
Carrossel. Quando gira se repete. Quando gira se repete. Quando gira se repete. Quando sobe, o chão se move; quando desce, o céu se move, se distancia. Quando giramos nos repetimos, descobrimos a vertigem, o mal estar de tornar-se velho, novo, velho e novo. O que passará torna-se imediatamente o que passou e quando vemos não volta do mesmo jeito. Quando gira se repete? Quando gira se repete? Repete ou não?
“Só sei que o meu mundo vai de cá pra lá”, o que não é a mesma coisa que o inverso, a perspectiva é nova, é outra. O lado muda a percepção do que vem em frente. A frente protege o vem que depois, o presente é o carrossel que embarcamos e a parada depende de onde queremos descer.